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Midías Sociais

Redes sociais ou mensagens instantâneas?

Como as tecnologias de informação e comunicação integram o mercado

Brasileiros estão cada vez mais conectados à rede. A afirmativa não é nenhuma novidade, e ganha suporte nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2013 sobre as Tecnologias de Informação e Comunicação no Brasil, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. De acordo com a pesquisa, metade da população brasileira acessa continuamente a internet por dispositivos móveis e computadores. O acesso cada vez maior de pessoas aos aparelhos móveis estimulou o uso das redes sociais.
Se formos analisar quais são as principais redes usadas pelos brasileiros, encontraremos diferentes resultados. Mas o que é unanime são os dois primeiros lugares para Facebook e Youtube, respectivamente. 
Um dos motivos que levam pessoas a utilizar as redes sociais é a educação. Não necessariamente o Ensino a Distância – EaD, no caso dos interessados em arte com balões. Mas a tentativa de se aproximar da informação. 
Este foi o caso de Eduardo Luis Mercuri, proprietário da Luar Festas e Decorações, de Rio Verde, interior de Goiás. Para dar o start no ramo de decoração, ele procurou cursos para se habilitar e só os encontrou nas capitais. Além do custo ser alto para quem está iniciando, ainda existia o problema da informação não chegar a tempo. “Numa visita a minha mãe, em Limeira, interior de São Paulo, descobri um curso pertinho, mas tinha ocorrido um dia antes!”, lembra. Este episódio motivou Mercuri a criar, em 2012, um grupo no Facebook para trocar ideias, divulgar cursos e novidades. 
A seleção de público já ocorre na busca pelo termo “globologia”, encontrado no nome do grupo. “Se pessoa procura por este nome, já tem noção de arte com balões”, acredita. A comunidade cresceu e Mercuri confessa que não tem mais tempo para fazer uma triagem muito rígida e hoje os participantes conversam pouco e aproveitam o espaço para publicar seu próprio produto com preço.
Esse é um dos motivos de desagrado do profissional do setor. “Tem gente que pede indicação e as pessoas se autoindicam e fazem leilão”, reclama Elba Santos, da empresa Hora Bolas, do Rio de Janeiro (RJ). Ela conta que entrou nessa rede para expor sua marca ao cliente da sua região, mas não foi isso o que aconteceu. “Trabalho com decoração diferenciada e ali (nos grupos de Facebook) postam fotos incríveis de decoração que desejam na sua festa, mas não querem pagar por isso!”, explica. 
Para Luiz Carlos da Costa Silva, coordenador da E-Balões, se a pessoa está buscando preço, ela não é o cliente do decorador de balões profissional. “Não é barato porque por trás de qualquer projeto bem feito tem que ter investimento em conhecimento”, explica.
Além dessa questão da desvalorização do trabalho, Silva lista outros fatores negativos. “O que se vê de mais absurdo é a postagem de fotos de trabalhos de outra empresa, mas com seu próprio logo em cima, como se fosse de quem postou; ou simplesmente apagam o nome de quem fez”, fala. “A orientação que damos está no código de ética E-balões: jamais usar foto de outro e sempre dar crédito para quem criou”, resume. 
Outro perigo que se esconde nas postagens feitas sem ética é com relação aos projetos de decoração. “Um projeto por si não resolve. Tentar executá-lo sem conhecimento pode dar errado.  O profissional tem capacitação para analisar o lugar respeitando a escala, o não conhecimento técnico adequado pode destruir um projeto e isso acontece o tempo todo porque o curioso não trabalha o conceito, ele quer reproduzir o que viu apenas. Isso sem falar nos riscos de quem usa gás hélio caseiro para economizar”, diz. Para Silva, é importante que o profissional se esforce em esclarecer e orientar as pessoas para fazê-las compreender que não se faz milagre. A boa decoração depende de conhecimento e responsabilidade.
Mercuri conta que já foi vítima de plágio, mas que não deu muita importância, pois o sucesso de cada projeto depende do tipo de evento e de convidado. “Não basta ter as mesmas peças e usar as mesmas disposições”, afirma. E isso é ensinado nos cursos e eventos da área. “Os instrutores sempre falam: a foto clicada é para você e não para o outro”, lembra. 
Mas há o outro lado da moeda que, neste caso, é a excelente oportunidade para quem está começando saber o que está acontecendo no mercado, que pode ser comprometida devido ao mau uso da ferramenta. “É apoio para quem começa, mas falta consciência porque se quer mostrar tem que mostrar o seu e não o do outro, que não autorizou!”, concorda Elba. Hoje ela conta que se tornou apenas uma observadora dos grupos de Facebook, mesmo assim reconhece seu potencial. “É legal porque que as pessoas vêem o que pode ser feito com balões”, diz.
Hortênsia Riccio, proprietária da loja de decorações com o mesmo nome, em Salvador (BA), já administrou um grupo no Facebook. Ela conta que o objetivo era trocar experiências, projetos e trabalhos entre profissionais, mas descobriu que nem sempre era o decorador que aproveitava as oportunidades. Muitas vezes, aconteceu de clientes em potencial tirarem projetos publicados no grupo e darem a seus decoradores para que eles os reproduzissem, o que culminou com o fechamento do grupo. “Hoje é fácil ir num grupo pedir projetos e postar coisas que são dadas em cursos e seminários. A gente (o profissional) investe muito: o curso em si, a viagem, a hospedagem, etc e acaba se aborrecendo com isso”, fala. “Quem faz um trabalho sério tem a preocupação de ensinar as pessoas a trabalharem. Às vezes crio projeto e posto, mas não libero trabalhos que passo nos meus cursos e eventos porque eles são dos alunos”, explica. 

Participantes qualificados

Uma das maiores bases de usuários de WhatsApp no mundo é o Brasil. Desde 1990, quando os serviços de internet para uso comercial começaram a ser introduzidos, o internauta brasileiro se identificou com as redes sociais e com o uso de mensagens instantâneas. Quem lembra do Orkut? Pois é, ele ganhou uma enorme quantidade de inscritos junto com o MSN Messenger. Já o uso de serviços de mensagem pelo celular, no começo, tinha um custo alto se comparado com os Estados Unidos e o Reino Unido, o que segurou o sucesso desse formato de comunicação até que o aumento nas vendas de smartphones e outros dispositivos móveis conectados, e a oferta de maior cobertura de conexões de internet, seduziu os usuários para o uso de mensagens através de aplicativos, como o WhatsApp.
O país tem hoje uma das maiores audiências no mundo: em fevereiro de 2014 eram 38 milhões de usuários, em abril do mesmo ano, 45 milhões. O crescimento foi identificado por um representante do aplicativo mais popular do Brasil atualmente, que substituiu outros serviços de mensagens como o e-mail, SMS e redes sociais.
Além do uso para comunicações pessoais diárias, o WhatsApp também entrou com tudo nas empresas, sendo usado como uma alternativa para contatar os clientes e funcionários. Não é diferente com os profissionais de balões, que criaram grupos para se atualizarem, tirarem dúvidas ou simplesmente selecionarem melhor quem acessa as informações, evitando desconfortos como os enfrentados no Facebook. 
Usuária mais ativa do WhatsApp do que dos grupos do Facebook, Elba optou pelo uso de mensagens instantâneas porque acredita que o contato é feito com pessoas que realmente estão dentro do mercado, o que implica em uma melhor qualidade de informação. Hortênsia compartilha da mesma impressão: o público é diferente, mais seleto. “Sempre que faço cursos coloco meus alunos nos grupos. Isso é importante porque acaba sendo um canal de suporte, tiro dúvidas, trocamos ideias”, conta. Por outro lado, as informações trocadas nos grupos de mensagem instantânea também podem esconder seus espinhos. “A troca é muito intensa e as informações se perdem porque as pessoas não conseguem ver tudo o que chega, além de falarem da vida pessoal, filhos... O face ainda é minha melhor vitrine!”, conclui.

 

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