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Inspiração

O acaso dos balões

Edna Maria da Silva é uma daquelas pessoas que merecem muito estar aqui. Para você entender melhor, vamos contar como chegamos nela para essa entrevista.

Toda matéria tem uma produção antes: conversa com um, com outro e por aí vai até chegar numa história que se encaixe no perfil que procuramos. Desta vez foi diferente. 
No meio da tarde chega um e-mail da leitora Elaine Cristina, da Tudo Art Party (Belo Horizonte/ MG), contando a história de uma instrutora admirada por seus alunos. Então, fomos conhecer Edna Maria da Silva. Pelo telefone, claro afinal estamos em São Paulo, e ela está em Bocaiúva (MG).  Já nesse contato deu para sentir a ‘segurança’ dessa mineira de Francisco Dumont. “Interiorzão de Minas Gerais”, como ela diz.
“Sou “namuié” de Joel há cinco anos - um reencontro que aconteceu depois de 37 anos, o que pesou na minha decisão de voltar ao interior”, conta. “Tenho dois filhos criados, dois netos, e amo ficar em casa, principalmente depois de um dia intenso de decoração ou curso”, continua. Edna conta que ama o que faz: decora com balões e ensina o ofício. Mas essa foi uma daquelas boas surpresas da vida, pois quando criança queria mesmo era ser educadora na área especial. Os balões vieram depois e pelas mãos do acaso. 
“Fui trabalhadora rural braçal. Desde os nove anos com os pés bem fincados no chão de terra e uma enxada, foice ou facão na mão. Saí da minha cidade aos 18 anos para tentar estudar. Fui empregada doméstica e sonhava com a faculdade, que sempre me falaram que era um desejo distante”, lembra. Só que não para Edna, que se formou em Pedagogia pela UFMG, em 1998. “Longe do tempo das cotas!”, brinca.
Nesse mesmo ano, em outubro (ela lembra o mês!!!) recém formada, desempregada, com dois filhos pequenos, foi às gravações do programa Note e Anote, com Ana Maria Braga, e viu “um trem danado de bonito!”, eram os balões que decoravam o estúdio. É aí que a história começa...
O primeiro passo foi presentear com um arco de balão, soprado na boca, toda festa que seus filhos eram convidados. O primeiro curso foi em 1999, no Senac. “Me sai tão bem, que ganhei o curso avançado de presente da instrutora Valéria Machado”, lembra. Na busca pela profissionalização, Edna aprendeu com Eduardo Seiti, Dante Longhi, Wilson Sawaki, Regina dos Anjos, Guildo Saraiva, Nadja Cavalheiro, Ricardo Rodrigues. Mas foi uma pergunta feita por Vera Portela, em 2008, que despertou Edna para o mundo de possibilidades que existe. “’Onde você quer estar daqui a 10 anos? Lindaaa, você tem potencial!!’ Aí fui!... rs”, fala. Com esse mesmo carinho recorda de passagens que a deixaram feliz, como ganhar uma estrela super balloons star da Lia Palka; conquistar o primeiro lugar AQB do primeiro AQB; e levar o segundo lugar em esculturas médias  da Riberball Pic Pic.
Assim nasceu a Edna Maria Balões, há 18 anos! Mas parece que foi ontem... “Lembro da minha primeira cliente: Dra. Tânia, aniversário da Beatriz, um aninho! Dormimos no local da festa para fazermos mil balões! E o estômago embolado com medo de não dar conta de entregar o serviço!”, recorda.
Aos que estão começando, Edna ensina: “Dê um passo de cada vez para sentir a firmeza do terreno e seguir, porque o caminho é bonito e compensador, mas também é árduo e desafiador!”.
Ela confessa que já tentou parar de ensinar mas... “é cada história, cada agradecimento por parte de mulheres jovens e maduras que eram desacreditadas e sem perspectivas de sucesso profissional e que encontraram o caminho de trabalho e prosperidade através dos balões e das festas, que não me deixa parar!”. O que ela não contou (mas a Elaine Cristina, sim!) é que, há nove anos, ela organiza cursos beneficentes para pessoas carentes e portadoras de doenças. Agora só não sabemos se agradecemos ou parabenizamos essa personalidade do mundo dos balões. Na dúvida, fazemos o dois: Parabéns, Edna. E obrigada!  

 

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