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Conversa com Elmi Rinaldi 

Será possível contar a história da decoração com balões no Brasil sem falar na Rica Festa? Não. Definitivamente, essa é a resposta que encontramos para essa pergunta depois de trazermos nomes importantes do setor para contarem sua história nesta editoria mesmo, Perfil. Já conversamos com Antônio Paulo Saadi, da Arte&Balões; Eduardo Seiti, do ESBDE; Luiz Carlos da Costa Silva, da Cenário Balões; Guacirema, da Guacirema Balões; e, todos eles, sem exceção, lembram com carinho dos tempos de cursos e seminários trazidos pela Rica Festa na década de 1990. 
Seu principal fomentador, Elmir Rinaldi, hoje com 73 anos, é nosso entrevistado. Ele conta a história do começo, de como foi que os balões começaram a transformar as decorações de festas e eventos no Brasil. Formado em administração, o paulistano, nascido em 9 de novembro de 1942, é casado, tem duas filhas e três netas. Depois de muitos anos de trabalho, tem como passatempo predileto passear e viajar com as netas. Não abre mão de uma boa pasta ao pesto; não pode se ver sem fazer nada, diz que precisa estar em movimento e, não contou, mas adora os balões! Tanto que ainda hoje participa do mercado e mantém contato com os principais nomes do setor.

AB - Quando começou a trabalhar na área de balões?
ER - Iniciamos os seminários em 1995, mas em 1994, já distribuíamos os balões da marca Qualatex no Brasil. Não existia nada de decoração de balão na época e, no Brasil, havia apenas dois ou três fabricantes, mas que não estavam atentos ao mercado de decoração. Numa visita aos EUA tive contato com a Pionner Balloon e iniciamos a importação dos balões. Foi aí que começou toda a história.

AB - O que o incentivou a entrar na área?
ER - Antigamente, para decorar a festinha, se inflava balões com ar normal e colocava nos quatro cantos do salão. Mas lá fora (no exterior) era uma coisa nova, tridimensional, cenográfica. E a alegria que o balão dá a qualquer um independente da idade! 

AB - Como foi feito o trabalho de introdução da decoração com balões para o público brasileiro?
ER - Foram nove anos de trabalho, fazendo cursos constantes com aulas práticas. Eram minicursos que reuniam grupos de 30 a 100 alunos. Quem ministrava essas aulas era o pessoal que tinha sido treinado por nós, como o Seiti, o Dante (Longhi)... Eles eram os staffs dos professores do exterior. Também fazíamos, uma vez por ano, um seminário com quatro professores de fora para ensinar como trabalhar os balões tanto em entretenimento quanto em decoração. Eram sempre pessoas novas, praticamente não se repetia professor. Juntavam 250 a 350 alunos. Tudo organizado pelas minhas filhas: Elisangela e Mirele.

AB - Qual sua função nos cursos e seminários?
ER - Minha parte sempre foi comercializar, importar e organizar. Não executo o trabalho com balões. Tenho tino para a área comercial, mas decoração não é minha área. O sucesso na realidade é realmente a credibilidade que temos.

AB - As pessoas sentem saudades desse tempo...
ER - Devido a organização. O tempo vai te dando mais prática, nos organizamos e formamos uma equipe. Também sinto saudade, mas passou. Depois que isso foi se multiplicando, os próprios fabricantes nacionais foram entendendo que era preciso criar um produto de melhor qualidade.  Uma boa parte do que se faz hoje está muito aquém do que fazia naquele tempo porque para fazer um evento desse porte realmente você tem um trabalho de um ano inteiro. Não é muito simples.

AB - Como é a Rica Festa hoje?
ER - A empresa nasceu em 1965 e continua com o mesmo CNPJ. Era uma indústria artesanal chamada Rica Decorações, depois começou a chamar Rica Disoplástica. Quando achei que a indústria não representava mais um desafio para mim, e que minhas filhas jovens podiam não se identificar, resolvi ficar na área de festas e fiz a Rica Festas. Estamos com duas lojas no Brasil atendendo praticamente só o consumidor final e algum lojista de cidades distantes que compram para revender. Mas esta é uma pontinha do negócio. O balão em si é totalmente varejo, para a mãe que vai fazer sua festa e para alguns decoradores que de última hora precisam de mais matéria-prima e não tem tempo hábil de buscar na indústria.

AB - A Rica Festa sempre trabalhou apenas com balões Qualatex?
ER - Nosso lema era, sempre foi, trabalhar com balões profissionais. Também chegamos a trabalhar com a empresa Sempertex, da Colombia. Sempre procuramos qualidade. Quer ver uma coisa? Até o diretor da Qualatex foi nosso funcionário! (Diverte-se, fazendo referência a Itamar Silva). Ele trabalhava na área da importação junto com a Elis e comigo. Trabalhou vários anos até que foi apresentado aos donos da Pionner Balloon e contratado. Ainda era solteiro, mas logo se casou e se mudou para o México.

AB - Então o consumidor final, a mãe, compra balões profissionais?
ER - Hoje se usa muito gás hélio nas festas infantis, então há necessidade de um balão muito mais permeável, sem furos. Temos que dar certa garantia de que o balão ficará inflado por 12 horas, flutuando. 

AB - Como o senhor vê o fato de o consumidor final fazer sua própria decoração ao invés de contratar um profissional? 
ER - As mães tentam fazer. Elas vêm buscar 100 balões inflados, paga pelo trabalho e pelo gás. Se quiser fazer ela mesma com as próprias mãos, vai alugar o cilindro de gás hélio e fazer sua festa. Mas vai se limitar a isso, não vai fazer um painel. Sabe que nesses minicursos que fazíamos, a maioria dos participantes eram moças que vinham para aprender a fazer para a própria festa e no fim usavam os conhecimentos como forma de ganhar dinheiro?! Muita gente começou assim, a grande maioria. E ainda tem! Conversando com os meninos (Seiti, Luiz, Dante e outros) que dão aula no Brasil, sei que eles têm esse mesmo perfil de aluno, que vem com a mesma vontade de antes.

AB - O senhor participa de reuniões com os professores de hoje, mantém amizade com eles?
ER - A gente se encontra na Expo Parques, por exemplo. Então lá a gente se encontra ou nos estandes de balão ou no Snab. Participo apenas para lembrar...

AB - Do tempo dos cursos e seminários da Rica Festa para cá, quais as principais mudanças que o senhor elege como principais?
ER - Popularizou bastante, ou seja, a gente fazia alguns minicursos em outros estados, mas para o nordeste você não tinha como levar. Hoje não. Há cursos em Manaus, Recife, Salvador... naquela época chegamos a fazer em Fortaleza, mas não todo ano. O pessoal dos extremos norte e sul vinha para São Paulo. Mesmo assim, São Paulo e Rio de Janeiro ainda tem maior potencial financeiro. Muitas coisas novas são criadas nesse eixo. Por isso, acho que o setor evoluiu bastante, abriu esse leque. Hoje em qualquer cidadezinha do interior de São Paulo tem alguém que já fez curso de balão dando aulinha ou decorando festas. Hoje temos decorações estruturadas. No início, o pessoal iniciou fazendo arcos. Hoje você tem trabalhos gigantes, como o da Cenário Balões, que depende até de projeto senão não consegue fazer. O próprio balão, ele iniciou redondo, pequeno e teve incorporado até outros materiais além do látex puro, mas de origem plástica e que compõem a decoração.

AB - Como o senhor vê esses cursos menores, realizados no interior? 
ER - Aqui a Cenário Balões mostra qualidade e conhecimento... os novos e empresas menores tendem a chegar lá, mas ainda engatinham. Acho que tem muito espaço, evidente que em lugares menos explorados.

AB - Depois dos cursos da Rica Festa outros vieram com qualidade?
ER - No máximo traz um professor de fora. Os professores nacionais estão dando cursos fora do Brasil. 

AB - Isso significa que nossos decoradores estão cada vez mais valorizados...
ER - É uma arte que não tem fim, é uma criação momentânea, temática, enfim, acho que não tem como dizer “terminou aqui” ou “se nivelou por aqui”, sempre vão aparecer novas formas e pessoas que vão criar ou mesclar outros produtos com balão. Aconteceu muito, agregaram tecido, por exemplo. É uma área dinâmica, mas comparativamente, nossos meninos que estão dando aula tem o mesmo nível dos internacionais. Acredito que alguns podem até ultrapassar. A decoração com balões tem muito de amor de criação.

AB - Alguém que o senhor destaca?
ER - Todos tem destaque. Não tem um melhor do que outro. Todos esses que estão sendo reconhecidos tem mesmo nível de conhecimento e dedicação.

AB - Sua esposa ajudou a construir tudo isso?
ER - Sim, contribuiu bastante nos seminários internacionais. Participou de tudo isso. Hoje ela é avó! (risos)

AB - O senhor usou muito balão nas suas festas pessoais? 
ER - Não existe festa se não colocar balão. É como bolo sem vela. O balão sempre esteve presente, não há a menor dúvida. É matéria-prima necessária. Todos nós temos obrigação de comemorar o aniversário. É altamente importante ter festa – é um grande remédio da vida! 

AB - Como vê o mercado de balões hoje?
ER - Estou muito feliz em ver que aqueles que começaram conosco agora se tornaram grandes professores nesta arte maravilhosa. 

AB - O que ainda deseja conquistar profissionalmente? 
ER - Ver o mercado de festa mais unido e cada dia mais profissional. Falta realmente responsabilidade para melhorar cada dia mais, atender anseios do consumidor, essa união traria um fortalecimento da área.

AB - Como vê o Rinaldi daqui a alguns anos? 
ER - Sempre em festa! 

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