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Coluna do Seiti

Eduardo Seiti é instrutor de design de balões e proprietário da ESBDE, em São Paulo.

A sua criação não te pertence

Se você criou uma ideia que caiu no gosto de todos, todos vão aproveitar.

Você tem uma ideia fantástica; transforma esta ideia com balões; você e o cliente gostam muito; o dono do buffet adora; os seus funcionários comentam que foi a melhor coisa que fizeram; ao postar no Facebook e no Instagram as curtidas chegam a mais de 1 mil; muitos compartilham;  os comentários são bem simpáticos recebendo muitos “Parabéns”, “Você é um artista”,  “Um dia quero ser como você”. Pronto. Você acabou de criar uma fantástica ideia para o mundo, e que vai pertencer a todos. Fique feliz, você será lembrado como o criador desta maravilhosa ideia!
A Lei de Propriedade Industrial (LPI) exclui de proteção como invenção e como modelo de utilidade uma série de ações, criações, ideias, atividades intelectuais, descobertas científicas, métodos ou inventos que não possam ser industrializados, dentre elas um projeto de decoração com balões, uma estrutura para uso em decoração com balões, um estilo de decoração e foto de decoração com balões. Dá para patentear um processo de fabricação, uma tela para painel, um tubo para arco, uma base específica, um formato específico de balão, entretanto uma modificação na especificação ou no processo já permite que sejam praticamente copiados. Às vezes dá para proteger um DVD com aula, um documento cuja informação é vendida, um CD com projetos, um projeto encomendado, um logotipo ou nome fantasia, mas se houver uma pequena alteração como a cor ou o tamanho dos balões, estas “cópias” passam a ser autênticas. Não há uma questão de ética aqui, talvez seja até falta de ética não querer que o mundo fique melhor com a sua boa ideia.
O processo para proteger uma criação no Brasil é muito complicado, nem tudo é permitido, é demorado, é caro e muito burocrático. No nosso caso, antes da patente passar a valer, pode ter passado o seu momento e o que temos pode não vale muita coisa. 
Levando todas estas questões em conta o melhor é relaxar e gozar, aproveitando que teve uma fama temporária, usar esta oportunidade para fazer um bom marketing e uma boa rede de contato. Se uma grande ideia caiu no gosto de todos, aproveite para publicar na mídia social, ofereça ajuda para que outros possam copiar a sua ideia, pedindo apenas para dar o crédito ao seu criador. Dê aula, mostre em congressos e feiras, use como marca da sua empresa. Este comportamento pode te ajudar na sua boa imagem.
Nem sempre conseguimos lidar desta forma. Primeiro nasce uma angústia quando um decorador copia a sua ideia e posta como sendo criação dele; quando um decorador usa a sua foto na propaganda dele; quando um cliente contratou outro decorador para montar o projeto inédito que você mandou no orçamento. Enfim, não é fácil controlar as nossas emoções.
No entanto não nos sentimos envergonhados quando estamos do lado contrário. Quando copiamos ideias alheias e postamos as fotos do que fizemos. Sapatilhas, arco descontruído, Arco Ceará, EaSY System, Guirlanda Circular, Árvore quadrada, Arco Orelha da Minnie, escudo do Capitão América, etc. Todos usamos sem constrangimento, mesmo que tenha uma ideia original. Pois é isso mesmo. Pode usar sem cerimônia, e como criador de algumas ideias, fico ofendido quando alguém não utiliza algo que criei.
Uma sugestão é batizar a criação com um nome, assim fica mais fácil de identificar que é seu. Por exemplo, a tela PDS quer dizer “Puma Design System”. A base POP que dizer “Produto Original Puma”. Puma era o nome da empresa que criei e vendi, hoje se chama Uma Balões; Arco Ceará, batizado com este nome por que apresentei pela primeira vez na cidade de Fortaleza. EaSY System é a abreviação do meu nome: Eduardo Seiti Yoshikawa. Mostre e divulgue rapidamente e deixem que copiem. Isto pode evitar angústias e dores no estômago. Sinta que ajudou o mundo e aos seus companheiros. A sua criação é para todos! 

 

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