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Perfil

Trajetória de sucesso

Conversa com Luiz Carlos da Costa Silva

O trabalho de Luiz Carlos da Costa Silva é admirado no Brasil e também no exterior. Profissionais o procuram para orientação e consumidores de todos os cantos do país o contratam para decorar suas festas. São decorações de alto padrão que preenchem os espaços como obras de arte. Em tempos de crise, nosso entrevistado pergunta: “Crise? Que crise?”. Na verdade, os negócios vão muito bem, obrigado. Para Silva, o segredo para passar por períodos de dificuldades é ter condição técnica e capacidade de gestão para atender e buscar clientes, know-how que o ex-professor de educação física tem de sobra. Além de anos de investimentos em cursos, seminários e congressos para aprender a fazer cada vez melhor e mais. Uma boa dose de curiosidade e muita, muita paixão também são parte da receita da trajetória de sucesso do artista. 


Quem pensa que a profissão primeira de Silva não condiz com sua atividade atual, engana-se. Assim como o atleta de alto rendimento, Silva tem sua imagem vinculada ao espetáculo e é capaz de reunir um grande número de pessoas em torno da sua produção. Sua rotina não é menos desgastante do que a de qualquer atleta e exige também disciplina – item que ganha uma atenção especial da esposa e parceira Rosana Christina Ferreira Muniz Silva, responsável pela administração da Cenário Balões, empresa criada em sociedade pelo casal.


Paulistano, ariano do primeiro decanato, não dispensa um bom estrogonofe de carne, Silva é amante dos esportes e seus momentos de lazer são ocupados com natação, corrida e – como bom brasileiro – futebol. Apesar da preferência pela atividade física, seu sonho de infância está ligado ao pensar. Ele gosta é de ensinar, talento que conseguiu aplicar na profissão de decorador com balões. E o que será que não o agrada? “Caramba! Tem bastante coisa!”, diverte-se. Mas responde: “Dormir muito tarde ou não dormir direito”. E faz todo o sentido. Alguém já viu um atleta boêmio? Pois então, talvez este seja mais um segredinho desvendado nessa entrevista, afinal uma boa noite de sono garante a produção de hormônios importantes para as funções vitais que refletem no humor e na capacidade de pensar, por exemplo. 


Bem, para conhecer um pouco melhor a trajetória deste profissional que foi de professor de educação física ao mais renomado decorador de balões do Brasil, leia abaixo a entrevista que ele nos concedeu pouco antes do fechamento desta edição.

AB - O que o incentivou a começar? 
LS - Foi uma oportunidade de negócio. Acabei indo buscar uma atividade que me desse uma condição financeira melhor do que a de professor. Então, me apaixonei por balões! Hoje me sinto realizado e a consigo aliar com a atividade de instrutor. 

AB - Quando começou a trabalhar na área de balões?
LS - No final de 2001, fui aprender os primeiros passos da arte com balões com San Silva, da Plasteng, e me encantei, me apaixonei! Meses depois, no inicio de 2002, comecei a trabalhar com balões de maneira informal, comprei o básico para começar: medidor, inflador, base... enfim, uma estrutura mínima para atender clientes. Como na época já alugava brinquedo infantil para festas, juntei as duas coisas.

AB - Quanto tempo trabalhou com locação e brinquedos?
LS - Uns quatro ou cinco anos. Mas um ano e meio depois de começar a fazer decoração com balões, me dediquei somente a isso. Foi muito encantador! A Cenário Balões fará 15 anos em 2017.

AB - Trabalhar com decoração com balões é desafiante e exige imaginação. Quando percebeu que tinha esse perfil?
LS - Desde criança gosto de construir coisas. Construía meus próprios brinquedos por distração, por brincadeira. O que mais me atrai nessa área é não ter uma rotina. Me inspirei no meu pai, que sempre teve habilidades manuais, sempre soube criar soluções, aprendi um pouco com isso e trouxe para minha vida. Busco soluções novas para problemas existentes. Por exemplo, algumas estações de trabalho da Cenário Balões fomos nós que criamos. Por outro lado minha mãe sempre foi ativa e gostava de vender. Aprendi com isso também.

AB - Qual o trabalho que você acredita ter sido o primeiro dos grandes trabalhos? 
LS - Talvez, a primeira escultura que marcou tenha sido um túnel com desenho do rosto da Minnie. Naquela época ninguém conseguia fazer mural em túnel e pra mim foi um desafio enorme! Não sei de onde veio a ideia, a mãe que me contratou pediu algo nesse sentido, demorou um pouco para criarmos, mas conseguimos. Até hoje acontece, é comum termos desafios desse tipo no nosso trabalho, mas é minoria porque quem contrata também corre o risco de não ter um bom resultado. A pessoa tem que acreditar em você, ela não vê uma foto antes de como vai ficar, principalmente se for algo novo. Se é algo que já fizemos, ela pode ver um similar, mas nenhuma escultura é igual a outra.

AB - Hoje a Cenário Balões trabalha para festas de alto padrão. Como aconteceu essa seleção de público? 
LS - Foi algo natural, primeiro porque sempre procuro oferecer um trabalho de alta qualidade, algo que mostre o diferente. Para fazer isso e em alto nível é preciso encontrar um nicho que possa pagar.

AB - Essa conquista certamente foi batalhada...
LS - A gente não faz só o arco. Não queríamos fazer só isso, então fomos buscar informações, fazer cursos no Brasil, Inglaterra, EUA, Argentina. Não paramos de buscar informações técnicas e de gestão, inclusive no Sebrae, onde encontrei um norte para saber pra quem vender.

AB - Quem do mercado te inspira?
LS - Sempre tem muita gente trabalhando bem e isso inspira muito. Mas no Brasil, posso falar de Eduardo Seiti. E no exterior... hoje é diferente, mas antigamente recebia a revista Image e ficava esperando ela chegar para ver o que estava sendo feito no mundo todo.

AB - Você já recebeu prêmios e ganhou concursos realizados fora do Brasil. Quais são eles?
LS - No Brasil não existe essa cultura, mas em 2011 comecei a participar desse tipo de evento. Foi uma competição em Londres que peguei o segundo lugar em escultura gigante, e em Denver, um ano atrás, também concorri. Foi uma experiência incrível. Ano que vem, em New Orleans vou fazer a decoração de encerramento do World Balloon Convention. O que se tem lá fora são competições internacionais, aqui ainda não se criou isso. Esse tipo de evento é visto porque a população é convidada para ver o resultado. Talvez este seja um dos caminhos para serem trilhados por nós brasileiros.

AB - Como vê o mercado de balões hoje no Brasil?
LS - Apesar de já ter 13 anos de atividade, enxergo o mercado novo e ainda pouquíssimo explorado de maneira adequada. O balão tem a possibilidade de atingir um mercado que ainda não o vê. Acredito que o mercado pode crescer muito de maneira organizada. Sempre tive a convicção de que precisa ser divulgado de maneira adequada para as pessoas conhecerem e usarem esse serviço. Há um preconceito de que balão é baratinho e usado só para festa infantil. Mas é o contrário: o decorador faz festa social de alto nível e evento corporativo de alto padrão. O Brasil faz as maiores festas infantis do mundo onde o balão está muito presente, porém, fora do Brasil, não tem infantil desse nível, mas tem casamentos, Bar Mitzva, balão delivery... o balão é muito mais presente na vida das pessoas, mas não com essas esculturas, fachadas e ambientações. 

AB - Como a crise afeta os negócios de balão? 
LS - Crise? Que crise? Se o mercado passa por uma crise a culpa é mais dele do que da situação do país, pelo menos dentro da Cenário a gente não passa dificuldade, não consegue atender toda a demanda. Isso porque escolhemos um nicho que realmente demanda muito trabalho e pouca gente consegue atender. O que precisa são de profissionais com condição técnica e capacidade de gestão para atender e buscar clientes. Considero o mercado praticamente virgem e alguns ficam se debatendo para entrar num nicho já saturado. 

AB - Você acredita que a união dos profissionais do setor possa contribuir com a ampliação o mercado?
LS - Sempre acreditei muito que quando se trabalha em grupo consegue-se resultados muito melhores. Em 2003 tentamos criar uma associação para troca de informações e autodesenvolvimento. Reunimos umas 15 empresas principais dentro da Associação Comercial de São Paulo. Não foi pra frente, mesmo assim acho que deu bons frutos, pois temos parceiros desde essa época. A E-baloes foi um segundo projeto que investi para trazer algo de alto nível, mostrar o que a gente faz - essa é uma das grandes necessidades. Precisamos profissionalizar essa atividade, temos muitos amadores e informalização. Queremos mostrar que é possível trazer essa atividade de forma digna. Fizemos em São Paulo a Convenção de Arte/ Gestão E-balões por três anos, aí resolvemos parar um pouco porque precisava descansar, mas sem perder de vista minha responsabilidade de ajudar outras pessoas.
 
AB - Você diz que parou para descansar, mas em seguida vemos você envolvido com o nascimento da Baloon Design Brasil, em parceria com o Antonio Paulo Alem, da Arte Balões... 
LS - É que a gente acaba nunca conseguindo sair dessa, criamos uma confusão nova a cada momento (brinca). Muita gente me pede para dar curso e quando fazia a Convenção de Arte/ Gestão E-balões tinha um custo e um trabalho enorme para dar conta de um público muito pequeno, cerca de 80 pessoas. Hoje, a gente consegue com o conceito digital atingir muito mais gente, milhares em qualquer ponto do planeta.

AB - Como funciona a Balloon Design Brasil?
LS - Queremos trabalhar em rede para replicar informações, padronizar a cultura de balões e melhorar a qualidade de trabalho com o congresso digital. Aqueles que se enquadram fazem parte de uma rede que divulga o que a gente faz e entrega para o mercado uma relação de empresas qualificadas

AB - Quais foram suas maiores alegrias?
LS - Inúmeras! É uma realização a cada dia. Temos trabalhos grandiosos, trabalho grande é sempre um grande desafio e uma grande realização.

AB - E na vida pessoal?
LS - Ser pai foi uma experiência muito marcante. Meu filho Rafael está com 25 anos.

AB - Sua família exerce grande influência ainda? 
LS - Sou o filho do meio, tenho duas irmãs e muitos primos. Sempre andamos juntos, a gente sempre teve uma relação familiar muito boa. Até hoje nos damos bem, mas nos vemos menos por conta de tempo.

AB - O que ainda deseja conquistar profissionalmente ?
LS - Tenho como missão pessoal e profissional conseguir divulgar e valorizar nossa atividade. A revista Arte com balões é mais uma ferramenta que fazemos uso para divulgar isso para um público maior. Ela informa com qualidade o profissional, que deve acreditar nessa atividade. A gente conhece bastante esse mercado, a revista reforça com tudo o que a gente acredita! Ao mesmo tempo que isto é um prazer, também nos sentimos responsáveis por isso, em nome do que representamos no Brasil. Somos referência no Brasil!
 
AB - Como vê o Luiz Carlos daqui a alguns anos?
LS - Espero que seja real. A médio prazo quero me dedicar apenas a projetos especiais da arte com balões e trabalhar como consultor e palestrante, atuando fortemente na área digital. Embora seja novidade para alguns, o futuro está nos meios digitais, não será revertido, será mais forte, nisso a gente aposta!

AB - Aposentadoria nem pensar, né? 
LS - Não tão cedo (risos) 

Leia esta e outras reportagens na revista digital Arte com balões.