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Especial Instrutores

Instrutor de decoração com balões

Temos visto a multiplicação de cursos de decoração com balões nos últimos anos. Muitos aproveitando o ambiente de web para transmitir informações que prometem ensinar o caminho do sucesso para pessoas de diferentes formações seduzidas pela beleza do trabalho da arte com balões e que, muitas vezes, acabam entrando no universo do ensino e contribuindo com o surgimento de novas gerações de decoradores. Este ciclo faz girar o mercado, que se renova a todo instante. Mas, afinal, qual o perfil ideal para ser um instrutor de sucesso? E como chegar lá? Conversamos com alguns dos mais importantes instrutores do Brasil que, através da sua história, contam alguns segredos da profissão.

Escola de balões
Eduardo Seiti foi o primeiro instrutor de decoração com balões no Brasil de que se tem notícias. Em dez anos de atividades, contabiliza 3 mil alunos em aulas presenciais, fora os cursos gravados e kits, como o que foi anunciado no programa Ana Maria Braga – que participou 23 vezes! -, alcançando 150 mil unidades vendidas. Isso sem falar nas 34 revistas de balões, mais de 100 artigos em revistas e jornais, 25 aparições em TV e nos 24 cursos em DVD disponíveis hoje.  “Ao todo meio milhão de pessoas já aprendeu comigo, sem exagero!”, calcula. “E muitos desses alunos tiveram histórias de sucesso no mercado de balões”, orgulha-se. 
Desde 2007 se dedica a ensinar a profissão para alunos de vários cantos do mundo. Mas seu caminho começou muito antes disso. “Fiz parte de um grupo estudantil que dava aula para a comunidade. Ali descobri que eu era bom pra dar aula, me dei bem”, conta. Já engenheiro formado, no cargo de coordenador de projetos, ele treinava os clientes, e para melhorar sua didática, recebeu dicas da secretária do diretor. “Cada vez que dava aula, notei que as pessoas gostavam”, alegra-se. Mais tarde, quando abriu uma loja de balas, fez uma promoção usando os balões como atração. As pessoas gostavam do trabalho que queriam aprender. Ao conseguir aumentar a venda de balas, ele foi convidado a ensinar os outros franqueados da loja a usar os balões como ferramenta de marketing.
“Dei aula antes de começar a trabalhar com balões. Foi difícil, tive dificuldade no começo”, confessa. Em 1996, Elmir Rinaldi o convidou para ministrar uma aula no 1º Seminário Internacional de Arte com Balões. “O que me ajudou muito foi ser autodidata”, garante. Característica desenvolvida durante a faculdade, quando teve um professor de física que não dava aula, apenas indicava a matéria e cada um devia estudar por conta própria e então tirava as dúvidas de quem havia estudado. 
Já em 2004, Seiti decidiu se dedicar a outra coisa que não fosse decoração por conta da saúde abalada. “Estudei o mercado e nasceu o projeto da escola de balões”, explica. Dia 1º de janeiro de 2007 nasce a ESBDE e sua empresa de decoração, Puma Balões, trocou de mãos, sendo administrada por seus primos Wiliam e Katia Sawaki. “A escola não decolou de início, só no quarto ano se equilibrou”, revela. O propósito era ter um espaço para cursos presenciais, cursos à distância e em vídeo. Seiti se dedicou a aprender o método construtivista como didática de ensino presencial, que é quando os alunos passam por uma espécie de laboratório. Para o curso de animação com balões, Seiti elegeu o método Kumon de ensino. “Meus cursos são voltados para o decorador que deseja aprender técnicas, e para o designer de balões, que quer aprender a fazer projetos personalizados. Este último tem conteúdo mais teórico: como calcular preço, como fazer um projeto prevendo quantos balões vai usar, teoria da decoração...”, explica.
Para quem está pensando em começar uma escola de decoração com balões, Seiti adverte: não é nada fácil. “Acho que a internet potencializou o reconhecimento do professor como formador de opinião. Toda vez que vou a algum congresso sinto que boa parte das pessoas gostaria de estar do outro lado. Mas há dificuldades: hoje a oferta é maior do que procura, o retorno é difícil e, normalmente é preciso complementar a renda com outras atividades”, afirma. E não é só no Brasil. “O mesmo ocorre no exterior. Nos EUA o cache padrão é de 800 dólares; o europeu, de 500 euros. Que são valores abaixo do que se paga no Brasil, porque recebemos por aula e eles por congresso”, conta. Seiti conhece bem o mercado externo, pois ministra cursos em vários países. No currículo soma experiências em Nova York, Las Vegas, Los Angeles, Athens (Georgia), Oklahoma City, FortLand, Hollywood, Sacramento (Califórnia), Clemson (Carolina do Sul), Witmom (Virgínia), Milwaukee (Wiscontin), Chile e França.
 “Não tenho receita de sucesso”, afirma. Mas acredita que para dar certo, a aula tem que ser um show. Isto inclui saber técnica de oratória, acertar o tom de voz, saber para onde olhar e se colocar. “O tempo tem que passar rápido para os alunos”, resume. Outro ponto importante é receber com interesse as avaliações dos alunos. Para conseguir o melhor desempenho, Seiti mentaliza seu plano de aula antes de cada uma delas e surpreende ao afirmar que o melhor é quando acaba. “Me sinto bem em alcançar o cansaço gostoso no final porque tenho tesão pelo desafio”, diz. 


Instrutor profissional
“Seiti foi primeiro instrutor brasileiro. Eu fui o segundo!”, afirma Wilson Sawaki, que nos concedeu parte da entrevista por telefone do hotel onde estava hospedado, em São Luís do Maranhão, ministrando um curso pela Riberball e treinando uma equipe da Regina Festas. “Passo sete dias por mês em casa em períodos de agenda cheia!”, conta. 
Sawaki começou a dar aulas em 1998, quando foi convidado pela Rica Festas a dar cursos no Brasil junto com o instrutor mexicano Jorge Milloti. “Nessa época não existia nada, além do Seminário Internacional, que ocorria uma vez por ano. Viajamos várias capitais”, lembra. Mesmo sendo instrutor, Sawaki seguiu com a empresa de decoração com balões. Até que a indústria percebeu a necessidade de fidelizar o instrutor para vestir a camisa da empresa e fazer um trabalho mais profundo, com consultoria. “Primeiro fechei com Riberball, depois a Regina Festas entrou com os metalizados e precisava treinar a equipe de vendas para merchandising e fazer cursos, e por fim a Bônus Infladores viu que eu sempre usava seu equipamento em minhas aulas e resolveu me contratar também”, explica. “Sou funcionário deles, recebo salário. No Brasil só eu tenho isso!”, orgulha-se. Como essas empresas não são concorrentes, não há problemas em conciliar o trabalho entre elas. A oportunidade de trabalhar em grandes empresas nasceu da percepção dessas indústrias de que a linha de combate tem pouco valor agregado e que é importante aparecer para as pessoas certas. Na esteira do desenvolvimento deste mercado, Sawaki se engajou e, hoje, após quase 20 anos, planeja mudar seu cenário. “Tenho novos projetos em andamento”, adianta.
Para Sawaki, há dois caminhos possíveis para quem deseja investir na profissão. “Um mais longo, duvidoso, incerto, porém o mais duradouro por ter uma base sólida, que é surpreender clientes, criar tendências, técnicas diferenciadas e utilizar de forma correta os balões. Ou seja, o decorador tem que se concentrar no trabalho dele e chamar a atenção. Hoje podemos ser vistos no mundo todo através da internet, com certeza se fizer bom trabalho, uma empresa vai se interessar pelo profissional que pode ser convidado por seus méritos como decorador para dar aula”, explica. Outro caminho, mais curto, mais rápido, mas sem base sólida, pode ser muito curto. “É importante o instrutor ser atuante, saber o que acontece mundo afora”, fala. “Pode acontecer de a pessoa fazer trabalhos imperfeitos e corrigi-los no Photoshop e assim conseguir chamar a atenção da indústria, mas em sala de aula, pode ser que esse professor não consiga sanar dúvidas, como custo de venda, por exemplo, e fica limitado às técnicas que utilizou”, conta. 
Pensando no aluno e até mesmo na empresa patrocinadora, Sawaki diz que além da capacidade de dar aula, com as características já abordadas por Seiti, como postura e oratória, o instrutor não pode se deixar seduzir por viagens e escapa-das do cotidiano. É importante que a escolha pela profissão seja feita pensando na fun-ção principal do instrutor: transmitir informações e municiar o aluno de ferramentas que possam ajudar no seu caminho. Ensinar com responsabilidade deve ser o foco, falando o que sabe e o que não sabe deixar para outro. “Deixar a vontade de estar em evidência dominar é muito prejudicial porque acaba passando informações erradas para quem vai viver disso”, alerta. 
Experiente em ensinar em diferentes plataformas, Sawaki aposta na versão presencial dos cursos. “Com a tecnologia que temos hoje e a grande vantagem de não ter necessidade de deslocamento, a oferta de aulas digitais só cresce, mas jamais vão ser tão boas quanto as presenciais”, acredita. “Na presencial tem como sanar dúvidas que rodeiam o tema principal na hora e ao vivo, além de ser rico o contato com outros profissionais em sala de aula, a troca de experiências nos corredores, o coffee breack. Isso jamais vai ser superado”, aposta.


Cursos online x presenciais
Formado em licenciatura plena em Educação Física, Luiz Carlos da Costa Silva aprendeu a ensinar. Durante dez anos deu aulas de esportes para crianças de diferentes faixas etárias. Com expertise de quem também organizava eventos em clubes paulistanos, Silva investiu na sua própria empresa e depois de um tempo começou a ser convidado para dar aulas. “Abria mão do meu trabalho de decorador para atender convites”, lembra. Marcou presença em eventos como Ideias Gigantes, SNAB, Arte Balões Bahia, entre outros. Mais tarde, criou a E-balões e dava palestras durante os congressos. Hoje, ministras aulas em parceria com a Qualatex, e se dedica aos cursos online do Balloon Design Brasil, ao lado do sócio Antonio Paulo Saadi Alem, que também soma qualificações como facilidade de se comunicar e experiência em treinar funcionários quando atuava como engenheiro para uma grande empresa. 
Silva concorda que os cursos presenciais facilitam a interação e permitem que o instrutor capte a necessidade do aluno de imediato. Entretanto, os congressos oferecidos pelo Balloon Design Brasil são todos digitais. Justamente por este ambiente ser mais frio, a didática aplicada nas aulas é de grande importância. “São princípios que acabam sendo úteis para todos, sofrendo adaptações de acordo com o perfil do aluno e a informação que se quer passar”, explica Silva. Por isso, antes de decidir como será transmitido o conhecimento, Silva e AP identificam com quem vão se comunicar. “Estimamos qual o perfil de pessoa que está do outro lado da tela, embora não seja cem por cento certeiro, funciona”, garante. 
“Para ensinar no Codibal e no Codifest, ficamos de olho no mercado: vemos quem se destaca e convidamos para dar aula. Ou seja, além da indústria, novos instrutores nascem também em congressos e seminários. “O importante é que tenha didática, seja simpático interagindo com os participantes, e que tenha conhecimento”, conta Hortensia Riccio, responsável pelo Arte Balões Bahia, sobre o modo como seleciona os instrutores para cada evento. Os palestrantes convidados do Balloon Design Brasil contam com o portal do palestrante. Ali, ele segue um roteiro para ensinar. Não é preciso formação didática”, completa. Essa técnica tem mostrado bons resultados. De acordo com Silva, foi realizada uma pesquisa de satisfação e 94% das pessoas se disseram satisfeitas no primeiro curso e afirmaram que comprariam novamente. O desfecho positivo não é obra do acaso. Entregar um material de qualidade, neste caso, significa também ter instrutores qualificados, mesmo sem preparo específico. “Juntei conhecimento didático e de balão para aplicar da forma que acho mais correta”, conta. “Tem programa que ensina a ser profissional de balão, mas não para ser instrutor”, continua. Aliás, o Brasil reúne um grande número de bons artistas de balão, o que não assegura sucesso como empresário. “O que falta talvez seja profissionalismo no trato com negócio”, sugere Silva. 
Para quem deseja aprender a profissão de decorador, Silva tem algumas dicas: ao escolher um curso, conheça a história e a reputação do instrutor; faça aulas com pessoas diferentes; e não acredite que o mercado é um mar de rosas. Desconfie de quem vende ilusão. “Um bom instrutor deve ter experiência como empresário por alguns anos associada a algum conhecimento didático. Isso dará autoridade a ele para falar. Não dá para ensinar a ter um negócio de balão – porque afinal é disso que se trata! – se nunca teve!”, alerta.

 

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