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Perfil

Brasileiro no mercado internacional

Conversa com Dante Longhi
 

Nesta edição você vai conhecer um pouco mais sobre Dante Longhi. Um profissional que conhece o mercado brasileiro e o internacional, e que está construindo seu nome com um trabalho sério e admirável. Desde o primeiro contato, Dante se mostrou atencioso e bem humorado. Mesmo a distância – hoje ele mora em Kenilworth (New Jersey – EUA) e o fuso horário não fizeram obstáculo para um bate-papo solto e cheio de simpatia.
Nascido na capital de São Paulo, dia 25 de junho de 1976, Dante se formou em Propaganda e Marketing depois de começar a trabalhar com balões, inspirado pela mãe Inês Longhi e motivado pela necessidade de ajudar nas despesas da casa. Com um jeito bem família, ele conta como foi sua trajetória na área, que começou já no primeiro seminário de arte com balões do Brasil, em 1997, aos 21 anos. Fala das saudades de casa e do sonho de infância. Hoje, casado com Eliane Longhi, Dante revela que o que mais gosta de fazer é brincar com o filho Daniel, para quem guarda horas preciosas da sua rotina movimentada, que, aliás, não inclui sob nenhuma hipótese lavar ou passar roupa. “Não gosto e não faço!”, conta entre risos.

AB - Qual sua comida preferida?
DL - Aquela que engorda!

AB – E a cor?
DL - Preto para roupa e carro. E Quartz Purple para balão. É um tipo de roxo meio vidro, transparente. Essa cor me dá uma vibração excelente. Parece preto no pacote, mas quando infla, vira aquele roxo brilhante.

AB - Qual seu sonho de infância?
DL - Conhecer o mundo. Nunca acreditei que Deus fez o mundo tão grande pra gente ficar dentro de casa. Minha primeira vontade profissional era ser piloto de avião para poder chegar mais rápido ao mundo todo.

AB - Piloto? E o que aconteceu?
DL - Numa daquelas feiras de profissão do colégio veio um piloto profissional e fiquei encantado! Fiquei muito empolgado mesmo. Mas no final da palestra, ele disse “Só tem um inconveniente (de ser piloto): ficar longe da família”. Aí pensei e decidi não seguir em frente porque antes de ser piloto, sempre quis ficar perto da família. 

AB - Já viajou bastante mesmo não sendo piloto?
DL - Ainda falta conhecer bastante. Conheço todo o Brasil por causa dos balões.

AB - Quando começou a trabalhar na área? 
DL - Em 1994, mas o salto mesmo veio após meu primeiro seminário de arte com balões, promovido pela Rica Festa, em 1997. Minha mãe trabalha com festas há 45 anos e ela sempre foi minha maior incentivadora - Inês Longhi, ela faz esculturas para festas. Se você ver o trabalho dela, você “pira”! – ela colocava as peças dela no estande da Rica Festas e o proprietário, Elmi Rinaldi, sugeriu que ela fizesse um curso de decoração com balões. Ela não pode, então eu fui no lugar dela. 
AB - Nessa época você já fazia faculdade?
DL - Estava começando e faltava muito porque tinha que trabalhar. Meu pai era diretor da Sharp. Quando a empresa faliu, abalou a família inteira, e minha mãe acabou sustentando a casa com o trabalho de festas. Eu tinha que ajudar. Mostrei fotos do meu trabalho com balões para meus professores e pedi que me ajudassem marcando presença e eu me esforçaria para pegar a matéria com os colegas. Fui bem e me formei.

AB - E não largou mais os balões?
DL - O Daltevir Toledo me descobriu e a Riberball me lançou como profissional. Trabalhei uns seis anos ou mais com eles. Trabalhei também para a Balões São Roque, Balloontech... Sempre fui um dos instrutores do Ideias Gigantes. Era bastante requisitado. Quando você está entre os primeiros, não consegue ir mais para frente, só para baixo (risos). O mercado recicla a todo momento porque surgem novos profissionais. Então pensei: para subir no ranking tenho que ir para fora do Brasil. Partir para ranking internacional. Queria dar aula no World Balloon Convention. Sai do Brasil em 2009. Comecei a trabalhar com a Betalic logo que cheguei nos EUA e me disseram que esse é um caminho sem volta se quisesse entrar na Qualatex, disseram que eu teria que dançar muito. Então coloca a música!, respondi. Como a empresa estava buscando instrutores que falavam espanhol, inglês e português, me ligaram e pediram para fazer um vídeo, e fui convidado para dar aula em abril desse ano. 

AB - Então já conquistou um bom lugar no ranking internacional?
DL - Falando de modo figurativo, se eu estava no lugar 200 do ranking internacional, hoje estou entre os 30. Daqui a janeiro de 2017 tenho oito cursos para ministrar: Miami, Arizona, Dallas, Geórgia, Ohio, Chicago, Kansas e Los Angeles. Tenho muito para render, não preciso me apressar... 

AB - Como é sua vida de instrutor?
DL - Minha mãe uma vez perguntou: você gosta do seu trabalho? Respondi “Inês vou te falar uma coisa: conheço todo o Brasil. Cidades, culturas, me pagam passagem, comida, extras e ainda recebo! É um emprego surreal perto do mundo que a gente vive; perto de pessoas que trabalham 15 horas por dia para ganhar o mínimo! Trabalho muito, mas tão feliz, tão feliz.... Esses dias fui fazer uma decoração numa companhia e todos os dias eu estava sorrindo. Um funcionário me perguntou se eu trabalhava inflado balões, decorando com balões todos os dias. Perguntei de volta se ele vendia seguros todos os dias. Ele respondeu que sim, mas sem o sorriso todos os dias... Bon Jovi canta todos os dias, o padeiro faz pão todos os dias, ele vende seguro todos os dias. Cada um dentro da sua profissão tem amor pelo faz. A felicidade é um estado de espírito. O dia que a pessoa põe na cabeça que vai ser feliz com o que ela tem, vai ser feliz. O que entristece mais o ser humano é ele não estar feliz com o que ele tem.

AB - Como é trabalhar no Brasil e fora? Pode traçar um paralelo?
DL - Em qualquer lugar que você trabalhe, o mais importante é saber que mexe com o sonho das pessoas e isso tem que ser respeitado. Um arco ou um castelo tem o mesmo valor quando envolve o sonho do cliente. Nos EUA é mais fácil do que no Brasil o acesso a materiais e ferramentas. Os EUA têm uma gama maior de balões, o que permite desenvolver mais seu lado criativo. Nos EUA fazemos decorações pequenas e clássicas. Já no Brasil há grandes produções e abuso de formas. Os americanos trabalham balões de forma mais moderada - bem mais moderada! (risos) - já o brasileiro de forma bem exagerada! Não tem como dizer quem está certo ou quem está errado. São apenas maneiras diferentes de receber seus convidados. O americano não pechincha, ele somente não compra. O brasileiro pechincha até que consegue e depois pechincha de novo!

AB - Além do trabalho como instrutor, o que mais você faz?
DL - Faço decorações, 90% delas são corporativas. Tenho loja de projetos e site de cursos online. Quem toca é o Sergio, eu só respondo dúvidas do aluno. E separo um dia da semana para ficar com meu filho o tempo todo. Nada nem ninguém tira isso da gente! Às vezes dirijo pro Uber. Hoje deu 4h da manhã sai para dirigir e fiquei até 9h. É um extra que entra. Se faço na semana 250 dólares, são 1 mil por mês. No ano são 12 mil, que dá para dar de entrada numa casa aqui nos EUA.

AB - Você se imagina fazendo isso no Brasil?
DL - O americano valoriza demais o trabalho manual. Ele não menospreza, não pechincha. O brasileiro vai te desgastar. Tem muita gente que passa necessidade. O Luiz Carlos, André Figueiredo, Diego Motta não são realidade, são a surrealidade. A realidade é quem faz um arco por final de semana, um palhaço, um centro de mesa... 

AB - Sente saudades do Brasil?
DL - Só dos meus amigos e da minha família, que está toda no Brasil. Meus amigos de profissão e tecnologia - Wilson Sawaki, Wiliam Mazzo, Etsu Flores, Rui Palácio - eles me fazem sentir um super-herói! Não tenho saudade da insegurança, da falta de trabalho, da insegurança política, das crianças mal educadas na rua, de motoristas que xingam... Aqui nos EUA se vem carro dos dois lados e tiver dez de cada lado, todo mundo entende que vai passar um de cada vez. Você não precisa se esforçar para isso. No Brasil, os dez vão entrar na sua frente e se bobear um vai descer e te dar um tapa na cara. Isso me dá horror! Aqui não existe fila preferencial. Se chegar aqui num banco e colocar uma placa vão perguntar porquê o aviso se sabemos que eles são preferenciais!?

AB - Quais suas maiores alegrias no trabalho?
DL - Trabalhar com aquilo que você gosta como se nunca tivesse trabalhado na sua vida! Apesar de fazermos todos os dias a mesma coisa (encher balão) nunca é igual, o lugar é sempre diferente, os trabalhos, as cores, as formas...nada de rotina! Mas a maior alegria no final é o reconhecimento das pessoas que você ama! Não importa quanto dinheiro você faz e quantos títulos ou prêmios recebeu se você não tem a admiração das pessoas que ama.

AB - Como percebe o uso de balões em festas e eventos?
DL - Acredito que é sempre fácil de manusear, limpo (diferente de terra, planta), você pode fazer de um balão uma flor, mas a flor não vira balão. Tem cores infinitas, texturas..., ou seja, quando o profissional sabe diferenciar o evento e fazer a decoração certa, balão serve pra tudo: empresarial, casamentos, tudo. Tudo vai balão. É imprescindível.

AB - O que ainda deseja con-quistar profissionalmente?
DL - Poxa... Deus já foi tão generoso comigo que se eu pedir algo mais vai ser exagero, porém eu recebo sim as bençãos que ele tiver para mim! Amém!

AB - Como vê o Dante Longhi daqui a alguns anos?
DL - CARECA! KKKKKKKKKKKKKKKkkkk

 

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