BLOG

bate-papo

Márcia Landsmann Editora da revista Arte com Balões e Festas.

Nenhuma festa é igual a outra

Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. A frase célebre do químico Antoine-Laurent de Lavoisier (1743-1794) foi adaptada pelo comunicador Abelardo Barbosa (1917-1988), o Chacrinha, para “Na TV nada se cria, tudo se copia”. E eu digo “No mundo dos decoradores de festas não existem copias!”.
Pela redação passam trabalhos do Brasil inteiro. O que vemos são temas, cores e montagens muitas vezes beeeem parecidas, mas não iguais. Não são iguais porque são trabalhos manuais e nunca um vai ficar idêntico ao outro. Cada um carrega o DNA de quem produziu mesmo que o objeto em questão tenha sido inspirado de outro profissional, que por sua vez também se inspirou em algum lugar. 
Afinal o que é inspiração?
Por definição, inspiração nesse contexto é uma “ideia ou pensamento que surge de repente”. Talvez não tão de repente assim. Quando olhamos para um objeto, uma paisagem ou até mesmo um gesto que nos remete a ideias novas e originais dizemos que fomos inspirados. É o “Insight”, a etapa número três do processo criativo explicado pela Daliana Oliveira no seu artigo “Ser criativo”, publicado na edição 20.
Já o significado do reprovável ato de plagiar ninguém tem dúvida: “copiar ou imitar, sem engenho, as obras ou os pensamentos dos outros e apresentá-los como originais”. É proibido reproduzir obras que estejam protegidas por lei, cabível de pena. (para saber mais leia na edição 20, a entrevista com o advogado especialista em direitos autorais, Dr. Franklin Gomes).
Vamos analisar o trabalho Balão de coelho do artista Jeff Koons (imagem na próxima página). A escultura é feita de porcelana com revestimento cromático. Não fomos atrás para saber o valor da peça, mas sabemos que é dele a obra vendida em maio deste ano por mais de 91 milhões de dólares: a mais cara obra de artista vivo na história da arte.
Não quero ser chata, mas a forma é beeeem parecida com os bichinhos de balão que a gente vê os twisters fazendo nas festas. E aí, quem se atreve a dizer que ele copiou? Ele se inspirou em imagens que já fazem parte do inconsciente coletivo, que está inserida na nossa realidade. Posso dizer que o Balão de coelho de Jeff (abaixo) é muito parecido com o cachorrinho sentado feito em balão de látex pelo meu amigo Bisnaguinha (ao lado).
Da mesma forma, conceitos, como estilo, influência, inspiração e design fazem parte da elaboração de decorações completas de festas. Esses princípios são os mesmos em todo o lugar. Então, quem pode dizer que é dono de   formas básicas, ou de uma paleta de cores?
Quando o profissional resolve fazer uma decoração – e aqui estou falando do bom profissional, que fique claro! – ele busca elementos que comuniquem a emoção principal do evento e transmita a alma, a energia e personalidade do anfitrião. E o primeiro passo para fazer isso é trazer a tona tudo o que sabe sobre forma, composição, equilíbrio, contraste, proporção... ou seja, ele bebe da mesma fonte que eu e que você. Aí pode acontecer de sair algo parecido, mas nunca igual. Bom, e pode ser o caso também de ter gostado tanto da sua ideia que resolveu adaptá-la no seu contexto. Se isso acontecer significa que você é um exemplo. Então, orgulhe-se!

 

Clique aqui e veja mais fotos e leia a Revista completa!